MEDITAÇÃO E MINDFULNESS

Como surgiu?

Meditação é o nome ocidental mais antigo dado aos sistemas e técnicas de treinamento mental que, enfim, foram assim denominados, pois não existia nenhuma palavra para descrever esse tipo de treinamento. Entre as técnicas existentes, destacam-se técnicas que originalmente se chamavam “plena atenção” que em inglês significa “mindfulness”.  A palavra meditação, nas línguas ocidentais modernas, por outro lado, representa algo como pensar profundamente sobre uma questão, o que de forma alguma representa a definição do que é a técnica de meditação.  Talvez por esse motivo, e talvez por erro de instrutores orientais dos primeiros tempos, meditação também ganhou a definição de “não pensar em nada”, que é outro conceito equivocado.

A meditação é em sua essência um treinamento que desenvolve uma reestruturação mental, induzindo adaptações fisiológicas e anatômicas positivas no cérebro, com o fortalecimento de vários aspectos cognitivos, emocionais e perceptivos, além de impactar positivamente na saúde corporal, evitando, minorando ou eliminando algumas doenças ou estados patológicos.

Existe todo um corpo teórico de como a meditação funciona e como pode ser empregada. Entretanto o uso de linguajar místico ou religioso para se referir à meditação, apesar de ter toda uma justificativa histórica milenar, atualmente apenas obscurece os aspectos desse treinamento mental tão rico, prejudicando a fácil e rápida compreensão.

O estudo da meditação é muito útil para motivar a sua prática, mas como dito, é um treinamento e não uma aprendizagem teórica.  Dessa forma, pode-se comprar a outros sistemas de treinamento, em especial sistemas de treinamento físico, facilitam em muito sua compreensão.

A abordagem sistêmica da meditação envolve, entre outros elementos, o uso da linguagem moderna empregada em outros sistemas de treinamento, não como alguma metáfora, mas como uma forma mais adequada para o esclarecimento da natureza da meditação.

Essa comparação entre sistemas serve também como um modelo de entendimento do processo de meditação. Apesar de modelos serem uma simplificação da realidade, eles são capazes de realçar elementos e aspectos que são importantes para simplificar a análise e difundir o conhecimento.

Como funciona?

Para facilitar o entendimento, vamos realizar um paralelo entre o treinamento físico e o treinamento mental, uma vez que este modelo possui grande poder explicativo. Existem várias capacidades físicas, porém vamos nos ater ao treinamento em academias que normalmente mede força muscular, resistência cardiorrespiratória e flexibilidade. Poderíamos também levar em conta velocidade, agilidade, coordenação e equilíbrio, mas este subconjunto servirá para nosso propósito de entender qual a importância da meditação.

Pois bem, mais que uma metáfora, ou mesmo uma comparação entre sistemas autônomos, a meditação pode ser considerada também um treinamento físico, pois usa necessariamente o corpo para ser realizada. Ao invés de utilizar os músculos (e também ossos, tendões etc.), ou o sistema cardiorrespiratório (coração e pulmões principalmente), utiliza o sistema neurológico do cérebro de um modo próprio. Se exercícios de alongamento implicam mais em posições estáticas do que movimentos para serem executados, os exercícios de meditação também implicam normalmente em posições estáticas, embora existam exercícios de meditação com base em movimentos. Enquanto os exercícios físicos estão voltados para respostas físicas como aumento de força, ganho de flexibilidade ou resistência, os exercícios meditativos estão focados em resultados neurológicos. Ambos os casos tem-se uma resposta adaptativa orgânica aos estímulos realizados.

Da mesma forma que os exercícios físicos tradicionais produzem adaptações positivas, tais como músculos mais fortes, resistentes e flexíveis, o treinamento meditativo produz adaptações físicas mensuráveis, tais como respostas mentais e emocionais mais eficientes, assim como mudanças fisiológicas expressivas no funcionamento do cérebro.

Aprofundando a análise das inter-relações, pode-se conceber treinamentos físicos com o objetivo de manter saúde e qualidade de vida, ou treinamentos funcionais com objetivos específicos variados, ou ainda  treinamentos de alto desempenho para competidores, ou treinamentos para reabilitação, aplicados por fisioterapeutas na recuperação de pacientes, dentre outros. Da mesma forma, a meditação apresenta várias possibilidades de treinamento, como para a saúde e para o desenvolvimento de habilidades especiais; treinamentos de baixa intensidade para resultados mais modestos e treinamentos de “alto rendimento” para resultados mais profundos.

Nesse contexto, pode-se comparar exercícios resistidos com halteres pequenos, que são indicados, por exemplo, para pessoas que ficaram longos períodos imobilizadas em um leito hospitalar, em sessões fisioterápicas, ou exercícios com halteres maiores para pessoas que querem manter a saúde ou melhorar o tônus muscular, realizando sessões em academias, ou ainda, para atletas profissionais de levantamento olímpico, em sessões com intensidades bastante altas, objetivando alto rendimento para atingir seus limites e vencer campeonatos. Todos querem aumentar a força muscular, ou no mínimo mantê-la, porém usando estratégias bastante diferentes, que á primeira vista poderiam ser consideradas completamente distintas entre si.

Conclusões

Os treinamentos atualmente conhecidos como mindfulness são adaptações do treinamento meditativo tradicional. O treinamento de mindfulness foi inicialmente voltado para pacientes clínicos com dores de causas físicas. A sua realização consiste de exercícios meditativos de baixa intensidade e com várias simplificações nos procedimentos. Podendo ser comparado a uma fisioterapia voltada ao desenvolvimento de respostas meditativas rápidas de baixa amplitude, para sanar uma necessidade urgente, que no caso era a redução da percepção de dor nos pacientes, tendo assim uma aplicação bastante importante.

Entretanto ao resgatarmos os comentários sobre as diferenças entre os exercícios físicos resistidos com halteres, fica fácil perceber que o mindfulness, quando comparado a métodos tradicionais de meditação, parecem eles bastante diferentes, surgindo assim a ideia de que são treinamentos totalmente distintos, sendo um velho/tradicional e outro moderno/inovador. Porém são apenas variações de intensidade e objetivos de um mesmo sistema mais abrangente.

A meditação foi elaborada para ser um sistema de métodos de “alto desempenho”, ou seja, métodos para praticantes que se preparam para realizar milhares de horas de práticas meditativas, e colher resultados bem mais amplos e profundos. Atingindo níveis mais elevados de reestruturação mental assim como respostas emocionais e físicas diferenciadas das demais pessoas.

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